Search
Close this search box.

Vendas de fármacos para a obesidade disparam: mais de meio milhão de embalagens em 2025

O mercado de medicamentos para a obesidade registou um crescimento exponencial em 2025, ultrapassando a barreira do meio milhão de embalagens vendidas — um volume quase cinco vezes superior ao de 2024. Este aumento ocorre apesar de os fármacos não serem comparticipados pelo Estado, podendo os custos mensais para o utente superar os 300 euros.

Segundo dados da Associação Nacional de Farmácias (ANF), baseados em indicadores da Health Market Research (HMR), este “crescimento significativo” foi impulsionado sobretudo pela introdução no mercado português do Mounjaro e do Wegovy.

Os números facultados à agência Lusa, a propósito do Dia Mundial da Obesidade, revelam uma trajetória ascendente desde 2019. Se nesse ano foram vendidas 45.787 embalagens, em 2025 o número fixou-se nas 572.256, o que representa uma subida de 378,5% face ao ano anterior. Atualmente, o arsenal terapêutico disponível em Portugal inclui substâncias como o Orlistato, Mysimba, Saxenda, Wegovy e Mounjaro.

Cirurgias e listas de espera no SNS Paralelamente ao recurso a fármacos, a atividade de cirurgia bariátrica e metabólica no Serviço Nacional de Saúde (SNS) também cresceu. Em 2025, realizaram-se 4005 intervenções, mais 312 do que no ano precedente. No entanto, no final do ano, 1811 doentes permaneciam em lista de espera, com um tempo médio de resposta de 4,75 meses.

Paula Freitas, presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), sublinha à Lusa que a obesidade é uma “doença crónica e complexa”. A especialista defende a urgência da comparticipação destes novos fármacos, alertando para a desigualdade no acesso: “A obesidade é mais prevalente nas classes sociais desfavorecidas”, para quem estes tratamentos são, atualmente, inacessíveis.

Redação