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Mariscadores dão alerta para cadáver na Ilha de Faro

O alerta foi dado por mariscadores durante a manhã desta sexta-feira; a identidade da vítima permanece desconhecida.

Um corpo foi encontrado a boiar, esta sexta-feira, na zona da Ilha de Faro. O alerta foi dado às 10h25 por mariscadores, que avistaram o cadáver na Ria Formosa.

Para o local foram mobilizados diversos meios, incluindo elementos da Polícia Marítima, da GNR e dos Sapadores de Faro. Após as diligências de busca, o corpo acabou por ser localizado e recuperado pouco depois das 13h00.

Até ao momento, não foram reveladas informações sobre a identidade da vítima nem as circunstâncias do óbito. O caso deverá agora seguir para investigação das autoridades competentes.

Redação

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Segundo o investigador Xabier Cabodevilla, da Universidade do País Basco, citado pelo ZAP, não faz sentido “criminalizar estas aves”, sendo antes necessário gerir a sua presença nas cidades. Embora o risco sanitário não seja considerado extremo, os excrementos de pombo podem conter bactérias associadas a doenças gastrointestinais, como Salmonella, Listeria, Campylobacter ou Yersinia, além de fungos e parasitas. Crianças e pessoas com imunidade mais fragilizada são os grupos mais vulneráveis. Existe ainda um problema estrutural importante: a composição das fezes. Ao contrário dos mamíferos, as aves eliminam tudo pela mesma via — a cloaca. Isso faz com que os excrementos contenham compostos altamente ácidos, visíveis na parte branca da mistura, capazes de corroer materiais. Essa acidez pode danificar pintura de automóveis, degradar pedra e metal e até acelerar o desgaste de património histórico. Mas dá para transformar em fertilizante? À primeira vista, sim. As fezes de aves são utilizadas na agricultura há séculos, especialmente no caso do guano — um fertilizante natural rico em azoto, fósforo e potássio, historicamente tão valioso que chegou a estar ligado a conflitos no século XIX na América do Sul. No entanto, o caso dos pombos urbanos é mais complicado. O principal obstáculo é a contaminação. Nas ruas, os excrementos misturam-se com pó, lixo, metais pesados e outros poluentes urbanos, tornando o material pouco seguro e difícil de aproveitar. Além disso, como sublinha a mesma fonte, seria necessário concentrar grandes quantidades de resíduos em ambientes controlados — algo que iria contra as próprias medidas de controlo populacional destas aves nas cidades. Apesar das limitações, já houve testes promissores. Em 2012, em Paris, o designer Jean-Sébastien Poncet criou o projeto “Guano de Paris”, que propunha recolher excrementos de pombo em estruturas urbanas para produção de adubo. Mais tarde, investigadores franceses confirmaram o potencial do material em contexto científico. Num estudo publicado em 2023, plantas de tomate cherry cultivadas em Ivry-sur-Seine cresceram mais rapidamente e produziram mais flores quando fertilizadas com excrementos de pombo diluídos em água. Segundo a mesma investigação, o guano foi previamente esterilizado a 121 ºC durante 20 minutos sob pressão, garantindo a eliminação de agentes patogénicos antes da aplicação nas plantas. O cocó de pombo pode ter valor agrícola em condições laboratoriais muito específicas, mas o seu uso direto nas cidades continua a ser inviável devido a riscos sanitários e contaminação urbana.