Novas diligências procuram esclarecer a eventual intervenção de terceiros na morte de Isak Andic, para além do filho. A terapeuta que acompanhou a família entra agora no radar da investigação, enquanto a defesa de Jonathan Andic insiste na tese de uma queda acidental na morte do fundador da Mango.
A investigação à morte de Isak Andic, fundador da Mango, entra numa nova fase após a juíza responsável pelo processo em Martorell, nos arredores de Barcelona, ter determinado novas diligências e admitido a possibilidade de envolvimento de terceiros nos acontecimentos.
O processo continua a ter em Jonathan Andic, filho do empresário, o principal visado. Ainda assim, o tribunal considera que persistem zonas por esclarecer e que a leitura dos factos pode não se esgotar na relação direta entre pai e filho.
Terapeuta no centro da investigação
É neste enquadramento que surge o nome da terapeuta que acompanhava a família Andic. Segundo a imprensa espanhola, a profissional terá participado em sessões de terapia familiar onde foram discutidos temas sensíveis, incluindo a relação entre pai e filho e questões relacionadas com a sucessão do império empresarial.
A magistrada quer agora perceber se esse acompanhamento poderá ter tido relevância para a investigação ou se existem elementos que ajudem a reconstruir o contexto emocional e familiar em que tudo terá ocorrido. Por agora, a terapeuta não tem estatuto de arguida nem foi formalmente constituída como investigada.
Registos telefónicos sob análise
Em paralelo, as autoridades continuam a trabalhar na análise dos registos telefónicos de Jonathan Andic. O objetivo passa por reconstituir contactos e movimentos no período crítico, procurando sinais que ajudem a esclarecer a cronologia dos acontecimentos. A defesa, no entanto, mantém uma linha de defesa firme e centrada na ideia de acidente.
Jonathan Andic insiste que a morte do pai terá resultado de uma queda durante uma caminhada na zona de Montserrat, perto de Barcelona. Para sustentar essa versão, os advogados recorreram a uma reconstrução baseada num episódio anterior em que Isak Andic terá sofrido uma queda à entrada de um edifício em Barcelona.
As imagens desse momento mostram o empresário já em desequilíbrio antes de ser amparado por terceiros. Para a defesa, trata-se de um elemento relevante para compreender o seu estado físico, sublinhando-se que sofria de osteoartrose nos joelhos, condição que poderá ter afetado a sua capacidade de reação.
Acidente ou homicídio é a questão
Do lado da acusação, mantém-se a leitura de que a ausência de lesões nas palmas das mãos levanta dúvidas sobre a hipótese de uma simples queda acidental, sugerindo que poderia ter existido tentativa de proteção durante a queda.
A defesa contrapõe que a condição clínica de Isak Andic poderá explicar essa ausência de reação defensiva, reforçando a tese de que a queda pode ter ocorrido de forma involuntária e sem intervenção de terceiros.
Com base nestes elementos, foi ainda apresentada uma reconstrução biomecânica que, segundo os advogados, sustenta a compatibilidade com uma queda acidental e fragiliza a hipótese de intervenção externa.
Jonathan Andic no dia em que foi detido pelas autoridades, no âmbito da investigação à morte do pai (Foto: AFP)
Jonathan Andic permanece em liberdade sob caução, sujeito a medidas cautelares que incluem a entrega do passaporte, a proibição de saída de Espanha e a obrigação de se manter localizável pelas autoridades.
Nesta fase, mantém-se afastado do espaço mediático enquanto a investigação avança com novas diligências que poderão ser decisivas para o desfecho de um dos casos judiciais mais mediáticos dos últimos anos em Espanha.





