Search
Close this search box.

Criança apropriada durante a ditadura argentina descobre a identidade do pai 50 anos depois — ambos vítimas do regime

Marcos Eduardo Ramos, uma criança retirada à sua família e apropriada durante a última ditadura militar argentina (1976-1983), que já em 2018 tinha conseguido conhecer a identidade da sua mãe, ficou agora a saber que também o seu pai foi uma vítima do regime de facto.
Segundo informou esta quinta-feira a organização Avós da Praça de Maio, a Procuradoria de Crimes contra a Humanidade — através da Delegação dos Direitos Humanos da província de Tucumã, no norte da Argentina — notificou Marcos de que é filho de Pastor Dante Campos, militante do Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT) e do seu braço armado, o Exército Revolucionário do Povo (ERP).
Marcos nasceu a 9 de junho de 1976, em São Miguel de Tucumã. A sua mãe, Rosário do Carmo Ramos, também ela militante do PRT-ERP, já tinha tido dois filhos — Elias Ismael e Camilo — do seu casamento com Ismael Suleiman.
Já separada de Suleiman, Rosário foi sequestrada no início de 1976, quando já estava grávida de Marcos. Esteve em cativeiro cerca de um mês, até ser libertada, e pouco depois deu à luz. Entre novembro e dezembro desse mesmo ano, foi novamente sequestrada e encontra-se até hoje desaparecida.
Ainda em 1976, Marcos foi levado à força juntamente com o seu meio-irmão Ismael Suleiman, então com 8 anos de idade.
Em 2013, foi apresentada uma denúncia que indicava que Marcos poderia ser filho de pessoas desaparecidas, tendo sido apropriado por um indivíduo posteriormente acusado de crimes contra a humanidade em Tucumã.
Marcos aceitou submeter-se a um teste de ADN no Banco Nacional de Dados Genéticos (BNDG) e, em 2018, ficou a saber que era filho de Rosário do Carmo Ramos, tendo-se reencontrado com os seus irmãos maternos, Ismael e Camilo Suleiman.
A investigação para chegar à família paterna prosseguiu, com base na indicação de que Pastor Dante Campos terá sido companheiro de Rosário do Carmo Ramos, antes de esta ser levada pela ditadura.
Ilda, a irmã mais nova de Pastor Campos, foi uma peça-chave nesta história: recordava-se de ter visto o irmão e Rosário juntos pela última vez, quando tinha apenas 9 anos de idade.
Graças às novas tecnologias introduzidas no BNDG a partir de 2023, este organismo conseguiu finalmente confirmar o vínculo familiar entre Marcos e a família Campos, através da análise do ADN de Ilda.
A confirmação foi comunicada a Marcos e à sua família paterna na semana passada, e ele já pôde encontrar-se com a tia Ilda e com as suas primas.
A identificação da linha paterna de Marcos demonstra, uma vez mais, que a ciência permite reconstituir a informação que os repressores tentaram calar», salientou a organização Avós da Praça de Maio, que aproveitou para denunciar a redução do financiamento atribuído ao BNDG por parte do Governo do presidente argentino, Javier Milei.
De acordo com a investigação judicial, Marcos foi apropriado por Víctor Lucio Sánchez, que trabalhava como funcionário civil no Destacamento de Inteligência 142 do Exército Argentino, em Tucumã — cargo que ocupou graças a Carlos Alberto Vega, capitão desse mesmo destacamento.
O julgamento relativo à apropriação de Marcos e de Ismael Suleiman tem início na próxima quarta-feira, sendo Vega o único arguido que chega vivo à fase de julgamento público.
Gostaria que eu também ajustasse este texto para um formato mais curto, como uma notícia de resumo, ou mantivesse este formato completo?

Redação com EFE