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China constrói “muralha no mar” com ilhas artificiais para controlar o estreito de Taiwan

A China está a intensificar de forma significativa a sua presença no mar da China Meridional através da construção de ilhas artificiais e plataformas flutuante.

A China está a intensificar de forma significativa a sua presença no mar da China Meridional através da construção de ilhas artificiais e plataformas flutuantes, numa estratégia que visa consolidar o controlo sobre rotas marítimas vitais e reforçar a sua posição militar no Indo-Pacífico, incluindo o acesso ao estreito de Taiwan.

As atividades mais recentes de Pequim incluem a deteção de novas estruturas em áreas disputadas, aumentando as tensões com países vizinhos como as Filipinas, Vietname, Malásia e Japão.

Em abril, foram divulgadas imagens de satélite de uma ilha artificial em construção num atol das Paracelso, próximo da costa vietnamita. Poucas semanas depois, foi identificada uma plataforma chinesa nos baixos de Masinloc, uma formação rochosa situada perto das Filipinas.

As autoridades filipinas confirmaram posteriormente que uma plataforma flutuante chinesa operava na zona, embora tenham indicado mais tarde que esta teria sido retirada. Ainda assim, Manila mantém preocupação com a possibilidade de uma presença permanente chinesa.

“Reiteramos a nossa posição inabalável: os baixos de Masinloc são e sempre serão parte integrante do território das Filipinas”, afirmou um porta-voz do Governo filipino à Reuters.

Pequim e Manila continuam a disputar a soberania sobre este território.

Uma plataforma de exploração e vigilância
A estrutura detetada em maio nos baixos de Masinloc era descrita como uma plataforma flutuante tripulada, com cerca de cinco metros de lado, equipada com materiais de exploração e uma antena de comunicações.

Durante o período de observação, também foram registadas movimentações de embarcações da guarda costeira chinesa nas imediações.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, através do porta-voz Lin Jian, afirmou que estas atividades fazem parte de “investigações de rotina” nas águas da região e que estão protegidas pela soberania do país, acrescentando que nenhum outro Estado “tem direito a interferir”.

O valor estratégico dos baixos de Masinloc
Os baixos de Masinloc, também conhecidos como atol de Scarborough, são uma formação triangular com cerca de 20 quilómetros no seu lado mais extenso, localizada a aproximadamente 230 quilómetros da costa filipina.

Trata-se de uma área que quase não emerge acima do nível do mar, com uma lagoa central que atinge cerca de 13 metros de profundidade.

Apesar de Manila reivindicar soberania com base em argumentos históricos ligados à herança colonial espanhola, a área encontra-se numa zona altamente estratégica para o controlo marítimo do Indo-Pacífico.

A presença chinesa no local é constante desde 2012, e Pequim tem reiterado de forma consistente a sua posição de soberania “indiscutível” sobre o território.

Disputas territoriais no mar da China Meridional e Oriental
O conflito em torno dos baixos de Masinloc insere-se num quadro mais amplo de disputas territoriais envolvendo a China.

Pequim reivindica também soberania sobre os arquipélagos das Paracelso e das Spratly, em disputa com o Vietname e a Malásia. No mar da China Oriental, o conflito estende-se às ilhas Senkaku, administradas pelo Japão, mas também reclamadas pela China e por Taiwan.

Estas disputas fazem parte da chamada “linha dos nove traços”, uma delimitação marítima reivindicada por Pequim que se estende ao longo de vastas áreas do mar da China Meridional e Oriental.

Construção de ilhas artificiais e militarização crescente
Em abril, uma investigação do The New York Times revelou a construção de uma ilha artificial no atol Antílope, nas Paracelso. Imagens de satélite mostravam intensa atividade de dragagem, com dezenas de embarcações e maquinaria pesada a transformar o recife.

Pouco tempo depois, surgiram estradas e edifícios na área, sugerindo a rápida conversão do espaço em potencial instalação militar.

Processos semelhantes ocorreram anteriormente noutras zonas, como o atol Travesura, onde uma antiga área desabitada foi transformada numa base militar com pista de aterragem, instalações residenciais e estruturas logísticas.

Importância estratégica global da região
A região do mar da China Meridional é considerada uma das mais críticas do comércio marítimo mundial. Segundo dados do Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos (CSIS), cerca de 20% do comércio global passa por estas águas.

Por estas rotas circulam ainda percentagens significativas das exportações de países como a China, Japão e Coreia do Sul, tornando o controlo da região uma prioridade estratégica global.

Estima-se também que cerca de 250 navios atravessem diariamente estas águas e o estreito de Taiwan, tornando a região comparável a um dos principais corredores energéticos e comerciais do mundo.

Estratégia militar e implicações para o indo-pacífico
A expansão chinesa tem sido interpretada por analistas como uma tentativa de garantir acesso direto ao Pacífico profundo e consolidar uma cadeia de pontos estratégicos militares e logísticos.

Embora a China disponha da maior frota naval do mundo, com cerca de 484 navios, especialistas referem que grande parte da sua capacidade operacional ainda está limitada a áreas costeiras ou de médio alcance.

O controlo de ilhas como as Senkaku ou de áreas no mar da China Meridional permitiria a Pequim operar com maior liberdade em águas profundas, incluindo o posicionamento de submarinos estratégicos com capacidade de alcance intercontinental.

Reação dos Estados Unidos e tensão regional
Os Estados Unidos acompanham de perto a evolução da situação, considerando qualquer tentativa de ocupação permanente destas áreas como um fator de elevada tensão diplomática.

Para Washington e aliados regionais, a crescente militarização chinesa representa um desafio direto ao equilíbrio de poder no Indo-Pacífico.

A região é, por isso, vista como um dos principais focos de potencial conflito geopolítico global, com implicações diretas na segurança marítima e no comércio internacional.

Redação com agências