A proibição do uso de telemóveis vai passar a abranger também os alunos do 7.º ao 9.º ano. A medida será aprovada esta quinta-feira na reunião do Conselho de Ministros e já está em vigor há anos em várias escolas. Os diretores garantem que os resultados estão à vista: há mais convívio entre os alunos, menos indisciplina e os intervalos deixaram de ser passados de olhos postos no ecrã.
A medida chegou há três anos ao Agrupamento de Escolas de Celeirós, em Braga, onde os telemóveis já eram proibidos no 3.º ciclo. O diretor, Carlos Louro, disse ao JN que o anúncio “não surpreende” e lembra que tudo começou com um trabalho de preparação junto de professores, pais e alunos, para que a decisão fosse encarada como uma mudança de hábitos e não como um castigo.
“A medida foi bem aceite e continua bem consolidada”, afirmou, garantindo que os alunos não ficam impedidos de contactar a família quando é necessário: “Se precisarem de ligar por qualquer motivo, pedem e fazem-no”.
Na prática, o tempo que antes era passado ao telemóvel deu lugar a outras atividades: “Até trouxe pequenos problemas”, admitiu o diretor, que explicou que agora “há mais jogos nos intervalos e, por isso, também há mais acidentes”. “Mas isso gere-se”, concluiu.
Também Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas, considera que o alargamento da proibição é “bastante positivo”. Ao JN, o dirigente da associação recordou que muitas escolas já decidiram avançar por iniciativa própria.
Há escolas que ponderam alargar para o Secundário
Sabe, inclusive, de escolas que já ponderam alargar estas limitações aos estudantes do Secundário: “Sei de alguns casos que pensam em fazê-lo pelo menos até ao 11.º ano, outros mesmo do 12.º ano”.
Contudo, “o contexto é diferente”, uma vez que se tratam de jovens com “mais idade e responsabilidade”, o que exige a outras avaliações e critérios. “De qualquer forma, a proibição poderá mesmo ter de ser feita até nesses casos. Não podemos ignorar que lá fora há países que até as redes sociais estão a proibir”, comentou Filinto Lima, sobre a relação entre a limitação de comportamentos, mesmo em jovens “mais adultos”.
Foi neste contexto que o presidente da associação lamentou que o esforço nem sempre seja acompanhado fora dos portões. “É pena que a sociedade não colabore com as escolas e os comportamentos não sigam isto”, disse Filinto Lima, apontando o dedo ao hábito de muitos pais entregarem os telemóveis aos filhos, que acabam por ficar “agarrados ao ecrã”.
Três meses de adaptação
O ministro reconheceu que os estabelecimentos onde convivem alunos do 3.º ciclo e do secundário possam enfrentar “alguns desafios de implementação” e por isso deu um período de adaptação até dezembro para garantir que a proibição no 3.º ciclo “tenha efeito a 1 de janeiro de 2027”.
Filinto Lima disse que o período lhe parece “o suficiente” para a adaptação dos alunos e acredita que, tal como aconteceu nas anteriores limitações, o processo de adaptação “será certamente positivo”.
Quanto ao momento escolhido pelo Ministério da Educação para anunciar a medida, numa altura em que a atenção está centrada na polémica dos exames, Filinto Lima explica que as escolas já esperavam uma resposta.
Segundo o dirigente, há vários meses que os diretores responderam a um questionário do Ministério sobre a possibilidade de estender a proibição ao 9.º ano e era expectável que a decisão fosse conhecida nesta altura, antes do arranque do novo ano letivo.
A alteração ao Estatuto do Aluno será aprovada esta quinta-feira em Conselho de Ministros. O ministro da Educação, Fernando Alexandre, anunciou que a proibição do uso de smartphones será alargada a todo o 3.º ciclo, embora as escolas tenham o primeiro período para preparar a transição. As novas regras entram em vigor a 1 de janeiro de 2027.
Segundo o ministro, a decisão assenta na tendência seguida por outros países e nos resultados de um novo inquérito aos diretores escolares, que indicam que, nos espaços onde os telemóveis deixam de entrar, há mais socialização entre os alunos e menos casos de indisciplina.
No último ano letivo, a proibição era obrigatória apenas no 1.º e 2.º ciclos. Ainda assim, mais de metade das escolas com 3.º ciclo (52%) optaram por proibir também os smartphones, enquanto 82% aplicaram algum tipo de restrição ao seu uso.
Redação com JN.PT







