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Oito feridos e 20 detidos em incursão israelita num campo de refugiados na Cisjordânia

O Exército israelita realizou uma operação no campo de refugiados palestinianos de Qalandiya, na Cisjordânia ocupada, da qual resultaram pelo menos oito feridos e 20 detenções. A incursão acontece num contexto de crescente tensão no território, onde Israel tem intensificado as operações militares e os planos de expansão dos colonatos.

As forças israelitas realizaram esta quarta-feira uma incursão num campo de refugiados palestinianos na Cisjordânia ocupada, deixando oito pessoas feridas e levando à detenção de outras 20, indicaram o Exército israelita e responsáveis locais.

O Crescente Vermelho Palestiniano, organização federada da Cruz Vermelha, informou que os oito feridos durante a operação foram transportados para o hospital.

Jornalistas da agência noticiosa France-Presse (AFP) observaram no local cerca de uma dezena de jipes militares a entrar em Qalandiya, um campo situado poucos quilómetros a norte de Jerusalém, cujo acesso foi interdito tanto à imprensa como aos habitantes.

Um responsável militar israelita disse à AFP que a operação “na zona do campo de Qalandiya” tinha como objetivo “impedir atos terroristas e deter indivíduos procurados”.

“Não permitiremos que o campo se transforme num centro de terrorismo ou num refúgio para terroristas e criminosos”, afirmou, em comunicado, o COGAT, organismo do Ministério da Defesa de Israel responsável pelos assuntos civis nos territórios palestinianos.

Mohammad Aslan, porta-voz do comité que gere o campo de Qalandiya, declarou à AFP que o Exército deteve pelo menos 20 pessoas e ocupou os telhados de várias habitações no campo.

Imagens divulgadas pela Autoridade Palestiniana, e citadas pela AFP, mostram as ruas estreitas do campo bloqueadas por escombros e grandes pedras, bem como mobiliário e outros objetos espalhados pelo chão de uma casa alvo de buscas.

Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967

Em 2023, o Governo do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, anunciou um projeto para construir um novo colonato com 9.000 habitações nas proximidades de Qalandiya. Embora o projeto ainda não tenha sido formalmente aprovado, os palestinianos que vivem na zona afirmam recear que este tipo de incursões constitua um prelúdio para a construção do novo colonato.

Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967, na sequência da Guerra dos Seis Dias, mantendo também a anexação de Jerusalém Oriental, não reconhecidas pela comunidade internacional.

 

Forças de segurança israelitas durante uma operação militar no campo de refugiados de Qalandiya, na Cisjordânia, esta quarta-feira, 5 de agosto de 2026.
Leo Correa / AP

 

Lado a lado com cerca de três milhões de palestinianos, mais de 500 mil israelitas vivem atualmente em colonatos na Cisjordânia, considerados ilegais pelas Nações Unidas à luz do direito internacional.

A política de colonização tem sido mantida por sucessivos governos israelitas desde 1967, mas intensificou-se após a formação do atual executivo liderado por Benjamin Netanyahu, no final de 2022, e ganhou novo impulso na sequência do ataque do movimento islamita palestiniano Hamas, em 07 de outubro de 2023.

– Com Lusa

SIC Notícias