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“Denúncia: PM de São Paulo terá obrigado jovens detidos a vestir camisolas de apoio a Lula”

Mãe de adolescente de 17 anos afirma que polícias trocaram a roupa dos detidos após a abordagem; caso foi divulgado pelo senador eleito Guilherme Derrite

A Polícia Militar de São Paulo é acusada de ter obrigado três suspeitos detidos em Piracicaba, no interior do Estado, a vestir camisolas com mensagens de apoio ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A denúncia foi feita pela mãe de um adolescente de 17 anos apreendido durante a ocorrência, que também afirmou que o filho terá sido agredido pelos agentes.

Segundo informações divulgadas pela coluna de Mónica Bergamo, da Folha de S.Paulo, os três detidos apareceram posteriormente em imagens a usar camisolas brancas com estampas vermelhas e a frase “Professores da Apeoesp com Lula”. As peças eram iguais e aparentavam ser novas.

As imagens foram publicadas nas redes sociais do senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP), antigo secretário da Segurança Pública do Governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Na publicação, Derrite elogiou a atuação dos polícias, afirmou que “crime não pode ser relativizado” e defendeu a redução da maioridade penal.

O episódio ocorreu na manhã de quarta-feira (21), na comunidade Vitória Pantanal, no Jardim Monte Líbano. Em declarações ao site TV TodoDia, a mãe do adolescente afirmou que o filho usava uma camisola preta antes da abordagem. Segundo o relato, os polícias terão trocado as roupas dos três suspeitos e colocado neles as camisolas com mensagens de apoio a Lula.

A mulher também acusou os agentes de terem agredido o filho durante a abordagem. Segundo o seu relato, a filha, de 14 anos, também terá sido atingida por um soco desferido por um dos polícias.

No mesmo dia e na mesma comunidade, a deputada estadual reeleita Professora Bebel (PT) afirmou que polícias militares terão intimidado e agredido mulheres que distribuíam material de campanha do partido. De acordo com a parlamentar, os agentes também teriam exigido que as mulheres entregassem as camisolas de apoio ao Presidente que estavam a usar.

Bebel afirmou que pretende encaminhar o caso à Ouvidoria da Polícia Militar para que sejam apuradas as denúncias e, caso sejam confirmadas irregularidades, sejam identificados os responsáveis.

O PT também recorreu à Procuradoria-Geral Eleitoral e pediu a abertura de uma investigação pela Polícia Federal para apurar as denúncias de possíveis abusos e eventual fraude eleitoral.

Um dos homens detidos negou envolvimento com o crime e afirmou, em entrevista ao TV TodoDia, que foi agredido durante a abordagem e obrigado a vestir uma camisola com a imagem de Lula.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que não compactua com desvios de conduta e que eventuais irregularidades comprovadas são punidas. A pasta informou, contudo, que não havia registos das denúncias relacionadas com a comunidade Vitória Pantanal e orientou eventuais vítimas a formalizarem as queixas numa esquadra, através da Delegacia Digital ou da Corregedoria da Polícia Militar.

Sobre a ocorrência policial, a Secretaria informou que os três suspeitos foram detidos após uma denúncia feita através do número 190. Segundo a pasta, foram encontradas 23 porções de cocaína com o adolescente e, com os dois adultos, de 21 e 24 anos, um revólver e outras 137 porções da droga.

O caso foi registado no 2.º Distrito Policial de Piracicaba. A Secretaria da Segurança Pública não comentou especificamente a acusação de que os agentes teriam obrigado os detidos a vestir camisolas de apoio a Lula.

Procurado para comentar as acusações, Guilherme Derrite não se manifestou. O caso ganhou maior repercussão após a divulgação de um vídeo recebido pela coluna de Mónica Bergamo, da Folha de S.Paulo, no qual duas mulheres relatam ter sido intimidadas e agredidas por polícias para que retirassem camisolas de apoio ao Presidente da República.

Redação sertao24horas