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Descoberta no Aeroporto de Lisboa menina de 12 anos que seria usada para saldar dívida familiar

Uma menina de 12 anos, que viajava do Senegal para França com uma mulher que dizia ser sua mãe, contou no Aeroporto de Lisboa que seria entregue a um homem para casar e ajudar a pagar uma dívida da família, o que levou à detenção da acompanhante por suspeitas de tráfico de pessoas.

A situação foi detetada no sábado pela Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras da PSP, durante o controlo fronteiriço a passageiros provenientes de Dakar, depois de os agentes encontrarem incongruências na documentação, na alegada relação familiar e nas explicações apresentadas pelas duas.

A mulher, de 45 anos, afirmou inicialmente ser mãe da criança, mas a alegada relação familiar não se confirmou. A análise documental permitiu também apurar que a menor viajava com um documento de viagem pertencente a outra pessoa.

Com o apoio de um Guarda de Fronteira da Frontex destacado no Aeroporto de Lisboa, os agentes aprofundaram a comunicação com as intervenientes e perceberam que a versão inicialmente apresentada não correspondia aos factos.

Ouvida em ambiente protegido, a criança afirmou não ter qualquer relação familiar com a mulher que a acompanhava e contou ter sido entregue pelos pais para ser transportada para França.

Foi então que a menor revelou às autoridades o destino que a aguardava: seria entregue a um homem em França, a quem teria sido prometida em casamento, numa tentativa de saldar uma dívida da família.

A acompanhante acabou também por admitir às autoridades ter recebido uma quantia em dinheiro para transportar e entregar a criança.

Perante os fortes indícios recolhidos, a PSP deteve a mulher e, após validação pelo Ministério Público, retirou imediatamente a menor da sua companhia.

A criança manifestou ainda receio de regressar ao país de origem ou de voltar a ser entregue aos pais, por temer ser novamente utilizada para pagamento de dívidas.

Face ao perigo identificado, foram acionados os mecanismos de proteção previstos na legislação para crianças e jovens em perigo, tendo sido igualmente solicitada a intervenção das Equipas Multidisciplinares Especializadas para Assistência a Vítimas de Tráfico.

As equipas procederam à avaliação e ao acompanhamento especializado da menor, enquanto a mulher foi constituída arguida e presente à autoridade judiciária competente.

A suspeita ficou em prisão preventiva.

Redação com JN.PT