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EUA desmantelam rede de casamentos falsos que envolvia militares

Uma rede de casamentos de conveniência que cobrava milhares de dólares a cidadãos estrangeiros para obterem residência permanente nos Estados Unidos envolvia militares norte-americanos e operava em vários países. Onze pessoas são acusadas pelos Estados Unidos

Procuradores dos Estados Unidos acusaram 11 pessoas de integrarem uma rede que organizou mais de mil casamentos de conveniência para ajudar cidadãos a obter residência no país, e envolvendo pelo menos 14 militares norte-americanos.

De acordo com a acusação, apresentada num tribunal federal em Nova Iorque, cerca de 11 dos militares, destacados numa base do exército dos EUA no estado do Kentucky (sudeste), casaram com cidadãos chineses entre maio de 2023 e agosto de 2025, noticiou o jornal South China Morning Post (SCMP).

A acusação não identificou a instalação militar nem os soldados, que terão sido recrutados por um cúmplice não identificado.

Pelo menos seis militares deslocaram-se a Nova Iorque para participar em casamentos falsos, enquanto um alegado facilitador e o recrutador viajaram de Nova Iorque para o Kentucky e o vizinho estado de Tennessee para organizar outros dois matrimónios.

Questionado em conferência de imprensa sobre se o caso envolvia alegações de espionagem, o procurador-geral dos EUA, Todd Blanche, respondeu que “não, relativamente ao que constava na acusação”, sublinhando contudo que a investigação continua em curso.

Rede cobrava até 100 mil dólares

Os arguidos terão operado uma rede nacional e internacional que juntava cidadãos estrangeiros, maioritariamente oriundos da China, a norte-americanos dispostos a casar em troca de contrapartidas financeiras.

Os estrangeiros pagavam até 100 mil dólares (92 mil euros) pelo casamento fraudulento e pela assistência na obtenção de residência permanente legal, o que permitiu à rede angariar dezenas de milhões de euros desde 2016.

“Esta é uma das maiores acusações por fraude em casamentos na história dos Estados Unidos”, afirmou Todd Blanche, citado pelo jornal de Hong Kong.

“Não se tratava de uma operação improvisada, mas sim de uma indústria clandestina multimilionária com anos de existência para ajudar criminalmente pessoas que, de outro modo, não poderiam obter legalmente a cidadania norte-americana”, sublinhou

As acusações dizem respeito a esforços para obter a autorização de residência permanente legal, conhecida como ‘green card’, e não diretamente a cidadania.

Um esquema organizado ao pormenor

Os norte-americanos recebiam alegadamente até 30 mil dólares (26 mil euros), pagos geralmente em prestações associadas a etapas do processo do ‘green card’, enquanto os recrutadores ganhavam comissões de até cinco mil dólares (4.300 euros) por cada cidadão norte-americano angariado.

Dez dos 11 arguidos foram detidos e deverão comparecer perante um juiz federal em Nova Iorque.

Os procuradores identificaram cinco dos arguidos como facilitadores que orquestravam os casamentos, com outros quatro arguidos responsáveis pelo recrutamento de norte-americanos.

O procurador Jamie McDonald explicou que os arguidos geriam um “esquema de fraude completo”, que fornecia celebrantes, trajes de casamento, fotógrafos e convidados para cerimonias encenadas, preparava pedidos de imigração, orientava os casais antes das entrevistas e organizava os divórcios após a obtenção dos vistos.

Alguns casais conheciam-se pela primeira vez pouco antes de obterem a licença de casamento num registo civil em Nova Iorque.

Seguidamente, encenavam as cerimonias de casamento, por vezes no próprio dia, em restaurantes próximos, chegando em alguns casos a vestir trajes tradicionais de casamento chineses.

A rede organizou matrimónios falsos em vários estados norte-americanos, bem como de forma em Vanuatu e na China.

O caso teve origem numa única comunicação descoberta pelos procuradores durante uma investigação não relacionada, revelou Jamie McDonald, que acrescentou que as autoridades continuam a investigar outros intervenientes ligados à rede.

Texto: Lusa