Susana da Silva diz que a violência terá intensificado quando mudaram de casa, coincidindo com a morte da mãe do suspeito
Susana da Silva, ex-namorada de António Pedro Cerdeira, está a ser ouvida, esta quinta-feira em tribunal. O ator está acusado pelo Ministério Público do crime de violência doméstica agravada, na sequência da queixa apresentada pela ex-mulher.
Em tribunal, Susana recorda a violência doméstica a que foi sujeita durante os sete anos de relação, que foram marcados por agressões físicas, controlo e situações de sequestro.
“Primeiro episódio foi em 2014 foi na cozinha. Tínhamos ido jantar. Levamos para casa meu melhor amigo e uma amiga dele. Ele teve outro ataque de ciúmes. Deu-me um estalo. Fiquei parva”, conta, acrescentando: “Vivi um pesadelo com ele. Aguentei sete anos”.
Ao longo dos anos, os episódios terão escalado em gravidade, com relatos de agressões frequentes, incluindo murros e violência continuada. Segundo a vítima refere foi agredida de várias formas, chegando a evitar olhar-se ao espelho devido à intensidade das agressões.
“Levei tanta tareia. Batia-me de todas as maneiras. No final deixou de bater na cara porque dava perceber que tinha levado tareia. Tantos murros que me deu na cabeça. Não consegui olhar me ao espelho”, acrescentou.
O relato aponta ainda para um agravamento da situação a partir de 2017, com episódios de controlo, incluindo a proibição de comparecer ao funeral de um familiar. A partir de 2019, já na residência na Beloura, a alegada violência terá intensificado, coincidindo com a morte da mãe do suspeito.
“Quando já estamos na beloura tudo ficou pior. Ele ficou pior desde que a mãe dele morreu. Fiquei sequestrada na Beloura. Tentou sufocar me com um carregador”, refere, acrescentando que o último episódio terá ocorrido na presença do filho mais novo do casal.
Em tribunal, Susana da Silva contou ainda que terá sido abandonada na estrada após uma discussão e agredida com murros, referindo não saber como não sofreu ferimentos mais graves. Um dos episódios terá ocorrido depois de enviar uma mensagem de felicitações a um amigo, ator, pelo nascimento de um filho.
De acordo com o testemunho, o suspeito reagiu com uma nova crise de ciúmes, acusando-a de intenções impróprias. Já dentro do carro, terão ocorrido agressões físicas.
A vítima refere ainda que, ao relatar a situação à mãe, esta terá ficado em estado de choque, chegando a desfalecer.
“Mandei mensagem a desejar felicidades ao Adriano por ser pai. É ator. Estava em casa dos meus pais. Já no carro Disse me que eu queria comer os atores jovens. Já no carro bateu me. Crise de ciúmes outra vez por ter dado os parabéns a um amigo de casa por ter sido pai. Quando contei a minha mãe, ela desfaleceu”, recorda, acrescentando que o ex-marido lhe chegou mesmo a bater com um “varão da banheira”.
António Pedro Cerdeira também foi ouvido e, em tribunal, afirmou que é “uma sensação de alívio por ter começado o julgamento”.
“A justiça faz se aqui. Desde o primeiro instante que digo que sou inocente. Sou inocente. Reitero a minha inocência. E isso vai ser provado. Eu considero a violência doméstica um crime hediondo e as penas deviam ser mais pesadas. Sou inocente. Vai ser provado aqui”.
REDAÇÃO COM CNNPORTUGAL






