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Macron: Europa deve defender liberdade e Estado de direito “mesmo que custe sangue”

França e Europa devem defender valores “mesmo que seja necessário derramar sangue”
13 de julho de 2026 — O Presidente da República francesa, Emmanuel Macron, assegurou hoje que a França e os restantes países europeus estão preparados para defender “a liberdade e o Estado de Direito”, e que o farão “mesmo que seja necessário derramar sangue”.
A declaração foi proferida no seu tradicional discurso às Forças Armadas, na véspera do Dia Nacional de França — o Dia da Bastilha —, tratando-se do último pronunciamento deste tipo no seu segundo e último mandato presidencial. Na ocasião, sublinhou que a Europa está em vias de se tornar uma potência e que tem o dever de defender os seus valores fundamentais.
“Sim, a paz é o nosso objetivo. Sim, prezamos a liberdade e o Estado de Direito. E sim, estamos preparados para lutar para os defender sempre, mesmo que seja necessário derramar sangue”, frisou.
Num quadro que classifica como “despertar estratégico” dos europeus para “assumir a responsabilidade pela autodefesa e pela ação”, o chefe de Estado destacou os esforços de rearmamento iniciados pela França logo após a sua chegada ao poder, ainda antes “de toda a turbulência” que se vive atualmente.
“Mesmo antes de o Sahel mergulhar no caos, antes de o Médio Oriente entrar em chamas, antes de a guerra chegar a solo europeu, já tínhamos iniciado o nosso rearmamento — até antes do início desta guerra insensata que a Rússia trava contra a nação e a terra da Ucrânia”, recordou.
Considerando o conflito na Ucrânia como um exemplo para todos os confrontos atuais, Macron defendeu que aquele país está a dar à Europa uma “lição espetacular”. Para cumprir os seus compromissos, acrescentou, França e Europa devem manter-se plenamente preparadas do ponto de vista militar: “São as guerras de hoje que devemos vencer”, afirmou.
“Em 2017, anunciei-vos que o orçamento da Defesa seria aumentado, que os compromissos seriam honrados e que a França e as suas forças armadas cumpririam os seus deveres e responsabilidades. O compromisso foi cumprido, os factos comprovam-no e a História julgará”, argumentou.
O orçamento da Defesa francês duplicou ao longo dos dois mandatos presidenciais de Emmanuel Macron. A atualização da Lei de Programação Militar, aprovada pelo Parlamento, acrescenta 36 mil milhões de euros ao montante inicial de 400 mil milhões de euros previsto para o período 2024-2030, acelerando o ritmo de investimento.
“Como europeus, devemos manter as nossas características específicas, os nossos processos de decisão, as nossas forças de intervenção e a nossa credibilidade”, concluiu.
Mais tarde, hoje à tarde, o Presidente francês acolhe em Paris uma reunião da chamada Coligação da Boa Vontade sobre a Ucrânia. Esta estrutura, lançada em 2025 por Paris em articulação com o Reino Unido e da qual Portugal faz parte, reúne cerca de 30 países dispostos a prestar garantias de segurança à Ucrânia, para impedir uma nova agressão russa após o fim do conflito atual.
O encontro antecede o desfile militar tradicional do 14 de julho nos Campos Elísios, que este ano contará com a presença de cerca de 500 militares provenientes dos países desta coligação. Pela primeira vez, 25 soldados ucranianos integrarão também o cortejo, em sinal de solidariedade.
redação com agências

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