O Tribunal de Matosinhos condenou esta sexta-feira David Marinho, de 26 anos, a 23 anos de prisão pelo homicídio da ex-namorada, Ana Rita Dionísio, morta com 21 facadas em São Mamede de Infesta, no verão do ano passado. O arguido tinha filmado a jovem a manter relações sexuais com outro homem cerca de 20 minutos antes do crime.
Durante a leitura da sentença, o presidente do coletivo de juízes afirmou que o arguido agiu “movido por ciúmes” e considerou “incontroverso” que foi ele quem tirou a vida à ex-companheira através de sucessivos golpes de faca. O tribunal concluiu ainda que David Marinho teve intenção clara de matar e não apenas de ferir.
Segundo o magistrado, apesar de o arguido defender que a separação seria apenas temporária, a relação já tinha terminado definitivamente por decisão de Ana Rita. O juiz salientou que David Marinho suspeitava há algum tempo de que a vítima teria outro relacionamento e escolheu o “momento certo” para avançar com o ataque.
O coletivo considerou, contudo, que o homicídio não teria sido preparado com grande antecedência, ao contrário do que sustentava o Ministério Público, uma vez que as duas facas usadas no crime foram retiradas da própria casa da vítima.
Na primeira sessão do julgamento, realizada a 26 de março, o arguido confessou os crimes e pediu desculpa às famílias envolvidas. Perante os juízes, admitiu ter perdido o controlo ao encontrar a ex-namorada com outro homem.
David Marinho contou que entrou na habitação usando uma chave escondida na caixa da eletricidade e percebeu que Ana Rita não estava sozinha. Segundo o próprio, aquilo que viu e ouviu “estava a corroê-lo”, acabando por permanecer no interior da casa enquanto filmava o casal.
De acordo com a acusação do Ministério Público, o arguido dirigiu-se depois à cozinha, pegou em duas facas com lâminas superiores a 20 centímetros e atacou violentamente as duas vítimas no quarto. O homem que acompanhava Ana Rita conseguiu refugiar-se na casa de banho, foi operado de urgência no Hospital de São João e sobreviveu aos ferimentos.
Já Ana Rita Dionísio sofreu pelo menos 21 golpes em várias partes do corpo e acabou por morrer no local.
Após o crime, David Marinho roubou cartões bancários da vítima e fugiu no carro da jovem em direção a Lisboa. Antes disso, avisou a empresa onde trabalhava de que não compareceria ao serviço no dia seguinte. Acabou detido pela Polícia Judiciária perto do Aeroporto de Lisboa, quando tentava abandonar o país.






