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“Só sim é sim”. Europa tem de incluir consentimento na definição de violação

O Parlamento Europeu deu, esta terça-feira, luz verde, com 447 votos a favor, a um relatório que insta os estados-membros a alargarem nos seus enquadramentos legislativos a definição de violação, ainda apenas alicerçada na presunção de força ou violência, e a incluírem a ausência de consentimento livre, informado e revogável. A Comissão Europeia vai ter de propor lei.

“É moral e juridicamente inaceitável que as mulheres não sejam protegidas pela legislação ‘só sim é sim’ em toda a UE”, afirma a eurodeputada sueca Evin Incir e relatora da Comissão das Liberdades Cívicas. Na verdade, já vários países fizeram aprovar legislação contra a violação e que estipula o crime mediante a falta de consentimento – entre eles Espanha em 2022 e, desde o ano seguinte, França, Finlândia, Luxemburgo e Países Baixos -, mas não tem havido na Europa, até ao momento, terreno comum para alargar a causalidade de que violação só existe por via da força e da violência.

Nesta terça-feira, 28 de abril, o relatório que quer alargar a definição do crime e estabelecer que todos os Estados-Mebros incluam o consentimento no ordenamento penal recebeu luz verde, com 447 votos a favor, 160 contra e 43 abstenções. Ao detalhe, os eurodeputados instam os países que ainda utilizem definições de violação com base na presunção de força ou violência a alinharem as suas leis com as normas internacionais (incluindo a Convenção de Istambul). Ou seja, que fique claro na lei que “só um sim é sim” e que o silêncio, a falta de resistência, a ausência de um “não”, o consentimento prévio, o comportamento sexual passado ou qualquer relação atual ou anterior não devem ser interpretados como consentimento.

“Há anos que pedimos uma definição europeia comum de violação e, embora o Conselho tenha impedido a sua inclusão como parte da diretiva de combate à violência contra as mulheres, cada vez mais governos reconhecem a necessidade desta abordagem”, afirma Erin Incir. E acrescenta: “Chegou o momento de apresentar uma definição europeia comum de violação com base na ausência de consentimento livre e revogável”. Recorde-se que, em fevereiro de 2024, a União Europeia aprovou lei sobre violência contra as mulheres, mas deixou de fora, após dois anos de negociação e muita polémica, a violação.

“O Parlamento defende a justiça instando a Comissão a propor legislação para que possamos melhorar ativamente a situação das mulheres, indo além de leis obsoletas para lhes garantir o mesmo nível de proteção em toda a UE”, diz a relatora da Comissão dos Direitos da Mulher, Joanna Scheuring-Wielgus.

Mais formação e educação para a sexualidade

Segundo o novo relatório aprovado, propõe-se que consentimento deva ser avaliado no contexto, incluindo em casos envolvendo violência, ameaças, abuso de poder, medo, intimidação, inconsciência, intoxicação, submissão química, sono, doença, deficiência ou vulnerabilidade. Defendem que as respostas ao trauma (como as respostas ‘congelar’ ou a ‘reação de submissão’) devem refletir-se na legislação e na prática judicial e reiteram o seu pedido de que a violência baseada no género seja acrescentada às acusações consideradas crimes da UE.

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