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Meninos abandonados em Alcácer do Sal tinham sido raptados pela mãe em França

As crianças, de três e cinco anos, foram vendadas com o pretexto de um jogo e deixadas numa mata. Pais biológicos e autoridades francesas já estavam à procura dos menores.

O caso está a emocionar o país e já ganhou eco em França, onde é hoje notícia em vários meios de comunicação social. Dois rapazes, de três e cinco anos, foram alegadamente abandonados pela própria mãe e pelo padrasto, na passada terça-feira, 19 de maio, numa zona de mata junto à Estrada Nacional 253, que liga Alcácer do Sal à Comporta, no distrito de Setúbal.

A história, já de si chocante, ganhou contornos ainda mais inquietantes. De acordo com o Correio da Manhã, Barthelemy e Zacharie, de nacionalidade francesa, terão sido raptados pela progenitora no seu país de origem.

A mãe, Marine, e o padrasto, Marc, terão entrado em Portugal com os menores no dia 11 de maio, por Miranda do Corvo. Três dias depois, o pai das crianças reportava o desaparecimento dos filhos às autoridades francesas.

Na terça-feira, oito dias após terem chegado a Portugal — e depois de terem pernoitado num hotel de Alcácer do Sal e almoçado em família —, os suspeitos abandonaram os rapazes no mato, por razões que estão ainda por apurar.

Abandonados após jogo fictício para procurar brinquedo

Desconhece-se ainda a hora exata em que o abandono aconteceu, sabendo-se apenas que as crianças foram encontradas por volta das 19h00 por Alexandre Quintas.

Ao mesmo jornal, o padeiro revelou que, quando localizou os meninos, estes estavam a “chorar e a gritar”. Como não percebia o que diziam, telefonou a uma conhecida de nacionalidade francesa para fazer a tradução.

Alexandre Quintas ficou incrédulo. Barthelemy, o irmão mais velho, explicou que “o padrasto os tinha vendado e mandado procurar um brinquedo”. Quando tiraram as vendas, perceberam que estavam sozinhos.

Às costas, as crianças levavam mochilas com roupas sujas, bolachas, fruta e garrafas de água, o que levantou de imediato suspeitas no homem que os recolheu.

Após ligar para a GNR, Alexandre levou os menores para casa da sua mãe, Eugénia, onde se encontravam os seus próprios filhos. Os rapazes franceses acabaram por ficar ali a brincar durante algum tempo. Mais tarde, os militares da GNR transportaram-nos para o Hospital de Setúbal para observação médica. Apesar de estarem bem de saúde, encontravam-se muito assustados.

Posteriormente, o caso passou para a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Alcácer do Sal, com quem os menores deverão permanecer até serem entregues à família — muito provavelmente ao pai, que os procurava em França.

Momentos de descontração após o pânico

Entretanto, em declarações à TVI, o irmão de Alexandre revelou mais pormenores sobre o acolhimento inicial. Visivelmente emocionado, relatou que os meninos chegaram muito assustados, mas acabaram por descontrair na presença de outras crianças de idades semelhantes.

“Depois foi uma alegria a brincar, nunca tinha visto uma coisa assim. Inédito. Felizes da vida, a brincarem. Esqueceram ali, se calhar, todo aquele pânico por que passaram. Foi espetacular”, assegurou, sem conseguir conter as lágrimas.

Casal continua em paradeiro desconhecido

Sobre Marine e Marc, pouco se sabe. Segundo a imprensa francesa, a mulher já terá abandonado um outro filho em França, atualmente com 16 anos.

Contactada pelo Notícias ao Minuto, a Guarda Nacional Republicana (GNR) explicou que não pode confirmar se o casal já foi localizado “enquanto estiverem a decorrer as diligências de investigação”, que estão agora a cargo do Ministério Público (MP).

De acordo com outras fontes ligadas ao caso, o casal continua em parte incerta, suspeitando-se que possa inclusive já ter abandonado o território português.