Açores proíbem caça ao pombo e feiras de aves devido à doença de Newcastle
O vírus apresenta um “baixo risco” para a saúde humana, mas exige precaução. A proibição entra em vigor esta sexta-feira e aplica-se a todas as ilhas da região por tempo indeterminado.
O Governo Regional dos Açores determinou, esta quinta-feira, a proibição do exercício da caça ao pombo e a realização de feiras ou ajuntamentos de aves. A decisão surge após ter sido detetada a doença de Newcastle em espécies selvagens na região.
“Esta semana, foi detetado o vírus da doença de Newcastle em aves selvagens, nomeadamente na rola-turca e no pombo-das-rochas. Uma vez que foi identificado no pombo-das-rochas — espécie utilizada na alimentação humana —, decidimos proibir a caça como medida de prevenção até que estejam reunidas as condições de segurança necessárias”, explicou à agência Lusa o secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura.
A proibição abrange o pombo-das-rochas (também conhecido como pombo-comum), entrando em vigor já esta sexta-feira e mantendo-se por tempo indeterminado em todas as ilhas do arquipélago.
Doença contagiosa com impacto na produção e risco residual para humanos
“Trata-se de uma doença muito viral e altamente contagiosa entre aves, com forte impacto no rendimento dos produtores de aves domésticas. Embora apresente um risco reduzido para a população humana, esse risco existe”, alertou o governante.
Face à situação, o executivo açoriano emitiu um conjunto de orientações e medidas de vigilância destinadas tanto a avicultores como ao público em geral. Recomenda-se a utilização de equipamento de proteção adequado durante o manuseamento de aves e a notificação imediata aos serviços oficiais em caso de mortalidade anormal.
As autoridades indicam ainda que os cadáveres de aves encontradas mortas devem ser enterrados a grande profundidade e apelam à população para evitar tocar nos olhos ou no nariz após o contacto com estes animais.
“Queremos evitar a todo o custo o contacto direto ou indireto entre aves domésticas e selvagens. Por esse motivo, estão proibidas as feiras e concentrações de aves, bem como as importações oriundas de zonas onde a doença de Newcastle esteja identificada”, reforçou António Ventura.
O secretário regional sublinhou que a doença tem vindo a registar surtos em vários pontos da Europa, como em Espanha, apelando à constante vigilância da população: “Apesar de o risco para os humanos ser baixo, pode originar sintomas como conjuntivites e tosse. Como nunca se sabe se o vírus mantém o mesmo padrão ou se sofre mutações, exige-se cuidado redobrado.”
A doença de Newcastle (DN), também denominada pseudopeste aviária, é uma infeção viral grave que afeta diversas espécies avícolas, registando maior incidência em galinhas e perus, de acordo com a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV).
Redação com dn.pt






