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Câmara de San Sebastián proíbe entrega de comida a pessoas em situação de sem-abrigo

San Sebastián proíbe distribuição de refeições a sem-abrigo

O presidente do município invoca razões de saúde pública e problemas de convivência urbana para proibir a entrega de comida na rua. Os voluntários acusam a câmara de ceder à pressão política.

Um grupo de voluntários que distribui refeições solidárias a pessoas em situação de sem-abrigo, em San Sebastián (Espanha), protestou contra a decisão recente do município. Com cartazes onde se podia ler “não se proíbe a comida” e “distribuir jantares não é crime”, o coletivo manifestou o seu forte desacordo com a medida tomada pelo autarca Jon Insausti.

O alcaide de San Sebastián, eleito pelo Partido Nacionalista Basco (PNV), justificou a proibição com o risco de “insalubridade” e a necessidade de “evitar problemas de convivência” com os moradores da cidade, segundo avançou o jornal espanhol El País.

Com a entrada em vigor da medida no final de julho, as pessoas em situação de sem-abrigo passam a poder recorrer apenas aos pontos oficiais disponibilizados pela câmara municipal. A autarquia comprometeu-se a reforçar o programa público de refeições com um investimento adicional de 500 mil euros, elevando o orçamento anual para dois milhões de euros, garantindo um total de 416 refeições diárias.

Quase quatro anos de apoio solidário

A iniciativa cidadã Kaleko Afari Solidarioak (“jantares solidários de rua”, em basco) nasceu em novembro de 2020, em plena pandemia, para garantir uma refeição quente noturna a quem vive na rua. Diariamente, os voluntários organizavam-se em quatro pontos estratégicos de San Sebastián, chegando a apoiar cerca de 300 pessoas por noite.

A logística dependia inteiramente da sociedade civil: os voluntários custeavam a compra dos alimentos, confecionavam as refeições e serviam-nas ao fim do dia, contando com doações para adquirir embalagens, talheres de cartão e guardanapos.

Em declarações ao El País, o grupo solidário lamentou a posição da autarquia e acusou o autarca de ter “cedido aos interesses” do Partido Popular (PP), força política que exigia há vários anos o fim desta prática nas ruas da cidade.

Redação com agências