Uma discussão motivada pela limpeza de um apartamento partilhado por estudantes, em Coimbra, culminou em agressões violentas, com um dos moradores a ser esfaqueado e agredido na cabeça com uma garrafa de vidro por um colega de casa.
O caso começou a ser julgado esta sexta-feira no Tribunal de Coimbra. O arguido, um cidadão brasileiro de 26 anos, está acusado dos crimes de homicídio qualificado na forma tentada e de detenção de arma proibida. O jovem, em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Aveiro desde outubro do ano passado, remeteu-se ao silêncio no início da audiência de julgamento.
Perante o silêncio do arguido, o coletivo de juízes começou por ouvir a vítima, que confirmou, no essencial, a tese apresentada pela acusação do Ministério Público.
Os factos remontam à noite de 30 de outubro de 2025, num apartamento situado na Rua Infanta D. Sancha, em Coimbra, onde o arguido residia desde agosto desse ano, partilhando a habitação com outras cinco pessoas.
Tudo terá começado quando a vítima confrontou o colega devido à loiça que se encontrava por lavar há mais de uma semana. A chamada de atenção deu origem a uma forte discussão, acompanhada de ameaças de morte, o que levou os restantes moradores a reunirem-se na cozinha para debater o incumprimento sistemático das regras de limpeza das áreas comuns.
Mais tarde, o conflito reacendeu-se no quarto da vítima. Em tribunal, o jovem agredido admitiu que, receando o histórico agressivo do colega, levou uma pequena faca para o quarto, assegurando, contudo, que nunca teve intenção de a usar para o ferir. Quando o arguido bateu à porta e entrou, o jovem terá empunhado o objeto para o afastar, pedindo-lhe que saísse.
Nesse momento, o arguido dirigiu-se à cozinha, onde se muniu de uma faca com 14 centímetros de lâmina e de uma garrafa de vidro. De regresso ao quarto, terá gritado repetidamente «Vou-te matar!», partindo de seguida a garrafa na cabeça do colega. Não satisfeito, desferiu ainda dois golpes de faca no abdómen da vítima e voltou a agredi-la com os estilhaços de vidro.
Durante o ataque, a vítima implorou sucessivamente pela vida, conseguindo, a dada altura, escapar do apartamento para a via pública. Já na rua, pediu socorro a três transeuntes que passavam no local e que o transportaram ao hospital. Conforme relatou em tribunal, por se tratar da noite de Halloween, as testemunhas pensaram inicialmente tratar-se de uma brincadeira ou disfarce, mas rapidamente se aperceberam da gravidade dos ferimentos na cabeça, rosto, tórax e abdómen. Do ataque resultaram várias cicatrizes permanentes.
Para o Ministério Público, o arguido agiu com a clara intenção de tirar a vida ao colega de casa, só não tendo consumado o crime devido à fuga da vítima. O arguido aguarda o desfecho do julgamento em prisão preventiva.
Redação






