O futebolista Richarlison exigiu que a Polícia Federal investigue o envolvimento do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela posse de uma propriedade de luxo em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Segundo o atleta, o imóvel foi-lhe retirado de forma arbitrária («na mão grande») através de manobras judiciais, conforme revelou num vídeo publicado este sábado (17) nas suas redes sociais.
Logo após Richarlison ter adquirido o imóvel, surgiram vários interessados na compra, entre os quais se encontrava Flávio Bolsonaro, de acordo com o avançado. «Como eu não quis vender, os tipos apropriaram-se do bem à força na justiça», afirmou.
O internacional brasileiro, que era dono da propriedade, recorreu aos tribunais depois de um amigo do parlamentar ter utilizado documentos do antigo proprietário da mansão para reivindicar a posse do espaço.
«Estávamos a resolver a papelada na justiça e disseram-nos que demoraria meses ou até anos. Flávio Bolsonaro e o tal Willer Tomaz chegaram lá e, em 24 horas, apoderaram-se do local. A justiça falhou», declarou o atleta, acrescentando ter investido cerca de 10 milhões de reais (cerca de 1,6 milhões de euros) no imóvel, sem ter recebido qualquer tipo de indemnização ou reembolso.
De acordo com o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, uma sentença extinguiu o processo em outubro de 2025, sem julgamento de mérito, na sequência de uma renúncia por parte de uma das entidades envolvidas — a Yta Consultoria, a Sport 70 Intermediação de Negócios e Renato Rocha Velasco, associados a Richarlison. Em janeiro de 2026, após trânsito em julgado, o processo foi arquivado.
Richarlison adiantou ainda que pretende doar parte do montante a um hospital da sua terra natal, Nova Venécia (no estado do Espírito Santo), caso consiga reaver o capital investido.
A contenda em redor da mansão — que dispõe de uma cascata privativa e se situa nas proximidades do aeroporto da região costeira fluminense — arrasta-se desde 2020. O futebolista e os respetivos sócios negociaram a compra do imóvel, mas foram surpreendidos em 2022 por uma ordem de restituição de posse interposta pela empresa M Locadora, representada por um advogado associado a Willer Tomaz.
A firma alegou deter direitos históricos sobre o terreno desde a década de 1980. Em decisões recentes, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e instâncias superiores reconheceram a legitimidade da posse aos representantes de Tomaz, encerrando assim os processos e determinando o respetivo arquivamento.
Em declarações anteriores sobre o caso, o senador Flávio Bolsonaro negou qualquer conduta irregular, sustentando manter apenas uma relação de amizade com Willer Tomaz. Por seu turno, o empresário defendeu que adquiriu legalmente os direitos sobre o terreno e que desembolsou 5 milhões de reais para regularizar dívidas fiscais pendentes da propriedade, classificando os anteriores ocupantes como invasores.
A agência de notícias tentou contactar a equipa de assessoria de Flávio Bolsonaro, mas não obteve resposta até ao momento.
Redação






