O Sistema de Depósito com Reembolso (SDR), conhecido como Volta, alcançou esta semana a devolução de 100 milhões de embalagens de bebidas de uso único, registando uma taxa de recolha de 38%, informou a entidade responsável pela sua gestão.
A SDR Portugal, entidade que implementa e gere o sistema, realça a rápida e crescente adesão dos portugueses a este mecanismo, que representa uma mudança significativa nos hábitos de consumo e de gestão de resíduos.
No entanto, a SDR Portugal reconhece a existência de problemas relacionados com a higiene urbana, nomeadamente com vandalismo em caixotes do lixo, que têm sido alvo de buscas para encontrar embalagens do sistema Volta, espalhando resíduos nas ruas.
Em comunicado, a entidade manifesta disponibilidade para colaborar com municípios, autoridades e operadores económicos no reforço e adaptação da rede de recolha, sublinhando que “problemas pontuais devem ser resolvidos com rapidez, mas não podem sustentar conclusões definitivas sobre uma política pública que acabou de arrancar”.
A SDR Portugal cita exemplos de outros países europeus onde surgiram situações semelhantes no início da implementação do sistema, como na Alemanha, Países Baixos, Letónia, Malta e Irlanda, casos que foram sendo resolvidos através da expansão da infraestrutura, sensibilização, adaptações urbanas e videovigilância.
Na Alemanha, por exemplo, foram criados suportes exteriores aos caixotes do lixo para as embalagens SDR, tornando-as visíveis. Na Letónia, a abertura dos contentores foi um problema nos primeiros dois anos, mas diminuiu com alterações na gestão dos resíduos urbanos.
Na Irlanda, onde a situação é mais comparável à de Portugal, verificou-se destruição de contentores e dispersão do lixo. Foram instalados suportes exteriores para as embalagens com depósito, o que resolveu parcialmente a situação. Passados quase dois anos e meio desde o início do sistema, a recolha ultrapassa os 90% e o lixo urbano reduziu-se para metade.
A SDR Portugal destaca que a evidência científica demonstra que os sistemas de depósito contribuem para a redução do abandono de resíduos e para uma gestão mais eficiente do espaço público. A vandalização dos contentores é um fenómeno urbano e localizado, com tendência para diminuir, e a comunicação assume papel fundamental.
Vários países reforçaram que colocar embalagens no lixo indiferenciado é a principal causa da procura das mesmas nos contentores.
A associação SDR Portugal sublinha ainda que o Volta está a acelerar o cumprimento das metas ambientais, lembrando que Portugal não está a atingir os objetivos impostos pela União Europeia e que, nos últimos três anos, já pagou multas de 600 milhões de euros, suportadas pelo Orçamento do Estado. Dados do primeiro semestre indicam que a recolha para reciclagem estagnou.
Portugal foi o 19.º país da União Europeia a adoptar o sistema. Atualmente, existem mais de 2.500 pontos Volta automáticos, nomeadamente em supermercados, além de pontos de recolha manual e uma rede de 50 quiosques.
A SDR considera indispensável o reforço desta rede, dado que 54% dos resíduos urbanos continuam a ser encaminhados para aterro.
O sistema Volta não utiliza dinheiros públicos, esclarece a SDR Portugal. O investimento inicial foi assegurado pelos produtores, embaladores e distribuidores, e o financiamento é mantido pelas entidades privadas e pelas receitas obtidas com os materiais recolhidos.
Os depósitos não reclamados, fixados em 10 cêntimos por embalagem, não representam lucro para a SDR Portugal nem receita para o Estado, sendo reinvestidos na operação e melhoria do sistema.
diariocoimbra.pt






