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EUROPA EM TENSÃO: protestos e confrontos continuam em Paris, Milão, Bruxelas e Tirana

Aumento do custo de vida, crise na habitação, propinas e falta de investimento na educação levam milhares de jovens às ruas; manifestações terminam em confrontos com a Polícia em vários países

O sentimento de indignação não se limita a França. O aumento do custo de vida, a crise na habitação, a falta de investimento na educação e outros problemas sociais levaram milhares de pessoas às ruas em vários países europeus, incluindo França, Albânia, Bélgica, Espanha e Itália.

Em diferentes cidades, manifestações que começaram de forma pacífica acabaram por ficar marcadas por confrontos com as forças de segurança, incêndios, vandalismo e detenções. Jovens têm assumido um papel de destaque nos protestos, exigindo melhores condições de vida e respostas concretas dos governos.

Tirana, capital da Albânia, teve ontem o sexto dia seguido de protestos

Foto: Armend Nimani

Tirana vive sexto dia consecutivo de protestos

Na capital da Albânia, Tirana, os protestos entraram ontem no sexto dia consecutivo. Os manifestantes exigem a demissão do primeiro-ministro, Edi Rama, que está no poder desde 2013 e já afirmou que não pretende renunciar.

Rama acusou ainda os manifestantes de serem apoiados por uma “mão externa”, numa tentativa de desestabilizar o país.

No sábado, Tirana registou o dia mais violento desde o início dos protestos. Manifestantes lançaram pedras, cocktails Molotov, objetos metálicos e artefactos pirotécnicos contra a Polícia, que respondeu com balas de borracha.

Também foram registados incêndios em edifícios e a utilização de automóveis e contentores do lixo incendiados como barricadas. Ao todo, 54 pessoas foram detidas e 65 ficaram feridas, entre as quais 37 polícias. Doze pessoas tiveram de receber tratamento hospitalar.

A revolta na Albânia começou há vários meses, inicialmente motivada pela contestação à construção de um resort com investimento de Jared Kushner, genro do presidente norte-americano Donald Trump, numa zona de reserva natural junto à costa.

O movimento acabou por incorporar outras reivindicações, incluindo melhores condições nas universidades, redução do valor das propinas e medidas de combate à corrupção.

Marcha contra as guerras e o custo de vida, em Milão

Foto: Matteo Corner/EPA

Milão: protesto contra guerras e custo de vida termina em confrontos

Em Itália, a primeira-ministra Giorgia Meloni condenou os distúrbios registados no sábado durante manifestações em várias cidades, entre elas Milão, Bolonha, Turim e Bérgamo, e manifestou apoio às forças de segurança.

“Manifestar-se é um direito, mas incendiar as nossas cidades não é”, afirmou a chefe do Governo italiano.

Em Milão, uma marcha contra as guerras e o aumento do custo de vida começou de forma pacífica, mas terminou em confrontos. Manifestantes mascarados incendiaram mesas de esplanadas e lançaram objetos contra a Polícia, que respondeu com canhões de água e gás lacrimogéneo.

Cerca de 50 jovens foram detidos, metade dos quais menores de idade. Quatro polícias e 20 manifestantes ficaram feridos, segundo informações divulgadas pela agência Ansa.

Protesto de jovens em Bruxelas, no sábado

Foto: Nicolas Maeterlinck / Belga / AFP

Bruxelas: estudantes protestam contra aumento das propinas

Na Bélgica, estudantes do ensino secundário saíram às ruas em Bruxelas e Liège para contestar o aumento das propinas universitárias.

Na capital, os protestos também terminaram em confrontos. Trotinetas elétricas foram incendiadas e um gabinete do Partido Socialista foi vandalizado.

O ministro do Interior, Bernard Quintin, atribuiu os episódios de violência àquilo que classificou como “violência organizada”. Cerca de uma dezena de pessoas foi detida.

Madrid: protestos contra despejos entram na terceira semana

Em Espanha, o acampamento instalado na Porta do Sol, no centro de Madrid, entrou na terceira semana. As autoridades reabriram a estação de metro da praça, uma das principais da capital espanhola, depois de esta ter permanecido encerrada durante 35 horas devido a problemas relacionados com condições sanitárias e de segurança.

O movimento contesta os despejos, exige a renovação dos contratos de arrendamento e defende maior proteção para pessoas em situação de vulnerabilidade.

Os protestos ganharam força após o despejo, em setembro, de Maricarmen Abascal, de 87 anos, do apartamento onde viveu durante sete décadas. A mulher morreu no dia 7 deste mês.

Entretanto, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, antecipou as eleições legislativas para 29 de novembro, depois de a oposição de direita ter chumbado um projeto que previa novas medidas de proteção no setor da habitação.

A onda de protestos que atravessa diferentes países europeus revela um crescente descontentamento social, com reivindicações que vão desde o custo de vida e a habitação até à educação e à corrupção, colocando os governos sob forte pressão.

 

Redação com agências